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2014, ano do nonagésimo aniversário do nascimento de Amílcar Cabral, que se assinala em Setembro, vai ficar desde logo marcado com o lançamento, em Janeiro próximo, de “Pensar para agir”, livro feito com base nas intervenções desse líder histórico do PAIGC no célebre seminário de quadros de 1969.

 

 

 

 

 

 O lançamento acontece por altura do 20 de Janeiro, dia em que se completarão os 41 anos do assassinato de Cabral.

“Pensar para agir” terá a chancela da Fundação Amílcar Cabral que, desta forma, pretende prosseguir com o trabalho de devolver ao grande público, os escritos ou o pensamento daquela figura da luta de libertação de Cabo Verde e Guiné.

De acordo com os organizadores do referido trabalho – Luís Fonseca, Olívio Pires e Rolando Martins – os textos que enformam “Pensar para agir” – casos de “Unidade e Luta”, “Análise dos tipos de resistência”, entre outros – vão aparecer nesta nova edição, com uma linguagem mais cuidada em relação aos inúmeros excertos que foram sendo dados à estampa a partir da referida intervenção, com um ou outro inédito pelo meio.

Por assim dizer, trata-se de uma compilação mais completa, organizada, com uma linguagem mais apurada (feita a partir do crioulo da Guiné), com partes que nunca haviam sido publicadas antes. Daí, conclui-se também, o interesse, à partida, desta iniciativa, que desde logo deverá marcar o próximo ano editorial em Cabo Verde.

Na história do PAIGC o seminário de quadros de 1969 é tido como um dos momentos mais importantes de reflexão desse movimento de libertação. Normalmente eram nos “seminários de quadros” que Amílcar Cabral abordava, de forma crítica, para um público selecto de combatentes, os vários aspectos da luta da Guiné e Cabo Verde, mas também de África, a par de outros fenómenos mundiais da altura. No caso do seminário de quadros de 1969 o mesmo aconteceu em Conakry, entre 19 e 24 de Novembro, numa altura em que a luta na Guiné tinha conhecido já um grande avanço, com o PAIGC a reivindicar parte importante do território da Guiné sob o seu domínio.

Com a morte de Cabral a 20 de Janeiro de 1973, e logo a seguir com o 25 de Abril em Portugal e o aceleramento do processo de descolonização, impunha-se a necessidade de compilar em livro e outras formas de edição e divulgação o grosso do pensamento de Amílcar Cabral, tarefa que ficou a cargo do angolano Mário Pinto de Andrade. Esse trabalho, deixam a entender os organizadores de “Pensar para agir”, ficou contudo a padecer de vários problemas resultantes, antes de mais, da pressa em que o mesmo acabou por ser feito.

Homem de acção e de pensamento, ainda hoje o legado político de Cabral é alvo de teses nas mais variadas universidades que procuram, dessa forma, estudar a contribuição dos povos outrora dominados para a conformação do século XX tal como hoje o conhecemos.

De recordar que em 2013, mais precisamente em Outubro, foi dada à estampa a edição cabo-verdiana de “Amílcar Cabral – Vida e Morte de um Revolucionário Africano” do historiador e investigador guineense Julião Soares Sousa. Antes, foram também reeditados os dois volumes das chamadas “Obras completas”, feitas a partir de antigas edições portuguesas e que há muito se encontravam esgotadas.

Entretanto, a Fundaçao Amílcar Cabral acaba de obter da União Europeia o financiamento de um importante projecto relativo a “produtos turísticos” que tem os lugares e a memória histórica como vectores. Entre outros itens, o projeto prevê a definição de um roteiro turístico, a criação de um museu com os mais variados materiais relativos a Amílcar Cabral, alguns dos quais provenientes de arquivos europeus, além da recolha de testemunhos de personalidades que concorreram para o nascimento do estado independente de Cabo Verde.

 

Fonte: ALFA.CV

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publicado às 02:30

A guerra de independência na Guiné começou em Janeiro de 1963, com o início das acções de guerrilha na região de Tite. Ao contrário do que aconteceu em Angola, desde o início que as forças portuguesas constataram estar diante de um adversário bem organizado e militarmente eficiente. De facto, o PAIGC dispôs sempre de equipamento de qualidade e do apoio quase total do governo da Guiné-Conacri, que lhe conferia total liberdade de movimentos para empreender acções de guerrilha na fronteira sul do território.
Nos primeiros anos de guerra, a iniciativa pertenceu às forças do PAIGC, limitando-se as forças portuguesas a defender-se dentro dos seus aquartelamentos ou a responder às acções inimigas com operações de grande envergadura, mas de dúbia eficácia operacional.
Quando a Guerra começou, em Janeiro de 1963, havia já quase dois anos que as forças portuguesas combatiam, com relativo sucesso, em Angola. Este facto permitiu às autoridades portuguesas prevenirem de certa forma a possível eclosão de acções de guerrilha em Moçambique e na Guiné. Assim, quando a guerra chegou à Guiné, a guerrilha deparou-se com um dispositivo militar português que abrangia todo o território. Este dispositivo baseava-se em 7-8 batalhões do Exército Português dispostos em quadrícula. Essencialmente, cada batalhão ocupava um sector, que se subdivia em zonas de acção (ZA). Essas ZAs eram ocupadas por companhias que, apesar de integradas em batalhões, actuavam com grande autonomia logística e operacional. O objectivo destas companhias era privar o inmigo do contacto com as populações, e manter "limpa" a sua ZA. A busca e destruição do inimigo estava a cargo de forças de intervenção especializadas nessas acções (golpes de mão, acções de limpeza, etc.)- Páraquedistas, Comandos, Fuzileiros, etc.
Em 1963, o efectivo das forças do Exército Português destacadas na Guiné ascendia a 10 mil homens, que eram apoiados por meios aéreos estacionados em Bissalanca (no AB 5, depois BA 12), que incluíam 8 caças-bombardeiros F-86F.

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publicado às 23:32







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