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Pensar e Agir Fora da Caixa

por Kabuverdianu, em 23.12.14


Vivemos uma época de oferta alargada de profissionais, produtos, serviços e soluções. A diferenciação é cada vez mais difícil, mas a maioria de nós gosta de inovação; e opta pelo mais barato sempre que não vê, ou sente, valor acrescentado. Isto coloca-nos, enquanto seres humanos, e como profissionais, algumas questões importantes.

 

Por João Alberto Catalão

Um facto: quem segue pelo mesmo caminho, na melhor das hipóteses vai ter aos sítios de sempre; isso pode ser muito mau.
Há muitas definições para criatividade. Como gosto da simplificação, defino-a de formas simples: é conectar o que ainda não foi conectado.
Deparamo-nos aqui com um grande problema: a nossa mente odeia a criatividade. O cérebro está naturalmente «programado» para poupar energia e sempre que lhe pedimos uma resposta processa a informação armazenada e responde em função dela ou em função de uma experiência semelhante já vivida. Para o cérebro, este tipo de comportamento é lógico. Tempo é energia, por isso quer dar uma resposta rápida, procurando os «atalhos» mais curtos para responder às solicitações. Também assume esta atitude como um mecanismo de auto-defesa. Quer dizer, ao defender o corpo, poupando-nos a esforços e ao tempo de reação, por outro lado, condiciona a nossa criatividade.
Novas ideias traduzem-se em novos caminhos, exigindo energia adicional. Se conseguirmos ultrapassar a resistência natural do cérebro, este acomoda a nova experiência, passando a aceitá-la.
Em conclusão: criar é desafiar a mente, ter coragem contra nós próprios. Criatividade é um processo de transformação, troca, desenho, descoberta, invenção e produção de algo novo. Não é por acaso que a imagem que o senso comum associa a pessoas criativas é a de alguém exótico e «diferente». 
Estes são tempos de mudança. Quanto mais rápido cada um de nós for, melhor seremos no conjunto. Temos o poder e a liberdade de escolher o que queremos saber para encontrar novas respostas. E informação é poder.

Então, como ser criativo?
Em primeiro lugar: adote uma atitude irreverente, persistente e corajosa. O seu compromisso criativo terá que ser a atitude resiliente, ativa e criativa.
Um ser criativo começa por ver, ouvir e sentir o mesmo que os outros. Conhecer o que já está conectado é o primeiro passo para perceber o que ainda não está (por exemplo, conhecer a concorrência, contra quem corro, quem são, o que fazem, como fazem). Comparativamente, como me avalio? Pense e volte a pensar! Estimule esses neurónios!
Recentemente, neurocientistas descobriram o seguinte: gente deprimida, chateada com a vida, ativa neurotransmissores que em contacto uns com os outros provocam a morte de neurónios. Curto e duro: desistir, refilar, ter mau humor e andar deprimido, isso estupidifica. Pelo contrário, se tivermos uma atitude otimista face à vida, se gostarmos de desafios, de pensar e agir de forma criativa e estimulante, o cérebro cria novos neurónios, através de um processo chamado neurogénese.
Pense nisto e escolha!

O prazer de pensar move muita gente criativa
Outra condição para ser criativo é definir objetivos e metas. O ser humano é feliz quando atinge um propósito.
Possuir uma atitude criativa deve começar por questionar, querer mais, melhor, diferente. Ajuda a criar um estado de ânimo saudável, uma atitude mental positiva.
A inspiração precede o nosso desejo de criar. Imaginar é fruto da criatividade visual. Quanto mais se vê, mais se pode imaginar.

Os inimigos da criatividade
Que inimigos tem a criatividade. Refiro aqui oito:
- a rotina;
- a zona de conforto;
- a falta de motivação intrínseca e extrínseca;
- o ‘stress’ (o medo é a mãe do ‘stress’) – não é possível viver sem ele, está no mundo; o sistema que o origina não é racional; a qualidade da resposta que dermos reflete-se na qualidade da nossa criatividade;
- medos (social, do ridículo, do fracasso);
- falta de hábitos saudáveis;
- chefias retro e/ ou contextos aborrecidos;
- ter por perto gente acomodada.
O maior medo dos medíocres é o medo do novo.
***
Criar é, assim, um ato de rutura, de destruição de resistências. Exige esforço, força de vontade. Criar é por vezes um processo doloroso. A grande dor é a da nova ideia.
Experimente!... Normalmente acontece assim: temos um pensamento positivo, segue-se a vontade de agir, nasce uma experiência, apreciamo-la e ficamos com vontade de a repetir.
Em conclusão: sou criativo quando sou capaz de rasgar as convencionais formas de ver, pensar e agir.
A vida é feita de escolhas. Se não está satisfeito com os seus resultados, descubra formas originais de obter outros, e atue em conformidade. Insista, insista, insista! Até que exista.


10 dicas
O primeiro mecanismo para se ser criativo é a atenção.
O segundo, o entusiasmo.
O terceiro, o desejo (os desejos são muitas vezes pressentimentos sobre as faculdades que estão dentro de nós e que ainda não reconhecemos).
O quarto, pensar diferente.
O quinto: fazer (nunca se esqueça de que falhará 100% daquilo que não tentar).
O sexto: avaliar resultados (validação, compatibilidade com os quadros de valores dos destinatários).
O sétimo, refazer.
O oitavo, fazer melhor (aprimorar).
O nono, revalidar (confirmação da aprovação do mercado)
O décimo, desfrutar (festejar, UAU!).

João Alberto Catalão é diretor da revista «DO It!» e especialista em negociações multiculturais; jcatalao@doit.pt

Nota: artigo publicado na edição 3 da revista «DO it!» (outubro/ dezembro de 2012) www.doit.pt
Fonte:SAPOEmprego
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publicado às 18:05










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